terça-feira, 15 de março de 2011

Nova Era do Gelo?!


Olá amigos,

Foi assim, coberta de branquinho que as serras da minha Madeira despertaram esta manhã!! 
Num cenário nada habitual para os madeirenses, pois ninguém se lembra até hoje de nevão semelhante na Ilha!
É Lindo, isso é indiscutível. Mas é um sinal claro e evidente de que a meteorologia neste bocado de terra no oceano está a alterar-se drasticamente (especialmente nestes últimos dois anos... ).
Chuvas violentas que provocaram a tragédia de 20 de Fevereiro de 2010. Seguiram-se as altas temperaturas do verão passado que "originaram" (com muita ajuda humana...) os incêndios de 13 de Agosto e que nem daqui a 60 anos teremos reposto o que ardeu... e agora este nevão, quase na primavera, numa ilha considerada como subtropical... 
Estão a acontecer fenómenos excessivamente singulares, que preocupam ambientalistas e geógrafos, que em vão tentam alertar o condutor da laranja mecânica e a sua corja para este perigo. 
Mas como sempre, o lema da Política Regional é: "Podem espernear que vai ser tudo feito à moda  do "Partei-und-Oberster-S.A.-Führer" e sendo absolutamente assegurado os interesses económicos dos lambe botas que rondam o grandioso chefe supremo...
É bonito sim, este cenário de Suíça à madeirense, mas se calhar está na altura de começarmos a nos preocupar com estas alterações climatéricas! E a agir, pelo menos para evitar um déjavu de 20 de Fevereiro!

Até breve**

segunda-feira, 14 de março de 2011

A intemporalidade dos Seres Iluminados


«Numa época em que, em certas sociedades, o poder é pertença de minorias compostas pelos detentores do grande capital e por membros da tecno-estrutura; em que, noutras sociedades, dele se apropriou uma classe burocrática que domina não só todo o aparelho de Estado como todas as estruturas económicas e sociais – ou se quer apropriar uma elite de intelectuais auto-iluminados que pretendem pôr em prática os seus dogmas e as soluções mais ou menos originais que conceberam – pergunto-me: poderão as sociais-democracias retirar o exclusivo do poder às minorias oligárquicas, promovendo a sua efectiva transferência a nível político, económico ou social, para toda a população, desde os órgãos do Estado às unidades de produção ?(...)O Programa que aprovámos mostra bem que o nosso caminho tem de consistir na construção de uma democracia real. Não basta apenas rejeitar, ainda que claramente, as via oferecidas pelo neocapitalismo e pelo neoliberalismo, por incapazes de resolverem as contradições da sociedade portuguesa e de evitarem a inflação, o desemprego, a insegurança e a alienação na sociedades que constroem. Não bastam reformas de repartição ou redistribuição de riqueza, sobretudo pela utilização da carga fiscal. Há que introduzir profundas reformas estruturais, que alterem mecanismos do poder e substituam à procura do lucro outras motivações que dinamizem a actividade económica e social. Propomo-nos, assim, construir não apenas uma simples democracia formal, burguesa, mas sim, uma autêntica democracia política, económica, social e cultural.A democracia política implica o reconhecimento da soberania popular na definição dos órgãos do poder político, na escolha dos seus titulares e na sua fiscalização e responsabilização; exige a garantia intransigente das liberdades individuais, o pluralismo efectivo a todos os níveis e o respeito das minorias; não existe se não houver alternância democrática dos partidos no poder, mediante eleições livres, com sufrágio universal, directo e secreto. A democracia económica postula a intervenção de todos na determinação dos modos e dos objectivos de produção, o predomínio do interesse público sobre os interesses privados, a intervenção do Estado na vida económica e a propriedade colectiva de determinados sectores produtivos; pressupõe ainda a intervenção dos trabalhadores na gestão das unidades de produção.A democracia social impõe que sejam assegurados efectivamente os direitos fundamentais de todos à saúde, à habitação, ao bem-estar e à segurança social; exige a abolição das distinções entre classes sociais diversas e a redistribuição dos rendimentos, pela utilização de uma fiscalidade justa e progressiva. Finalmente a democracia cultural consiste em garantir a todos a igualdade de oportunidades no acesso à educação e à cultura e no favorecimento da expressividade cultural de cada um.(...) A aprovação dos estatutos veio consagrar o carácter eminentemente democrático do Partido, que, aliás, ficou bem expresso na forma como decorreu este Congresso: a participação entusiástica e espontânea de tantos dos delegados prolongou as nossas horas de trabalho, exigiu-nos um esforço suplementar. Mas mostrou bem que a democracia é a única maneira de um grupo, tão numeroso, chegar ao consenso entre variadas opiniões, sem submissão a despotismos iluminados.»

Olá amigos, este excerto é de Sá Carneiro, um dos fundadores do PSD e que infelizmente morreu cedo de mais. 
Porque coloquei este texto no blogue? visto já me ter assumido como sendo uma apartidária com esperança de ver ainda nascer um partido centralista... E apesar de ter prometido que evitaria trazer política para o meu blogue, tive de abrir uma excepção para este texto. 
Por vários motivos, mas essencialmente porque ao lê-lo, faz-me pensar que Sá Carneiro deve andar a dar muitas voltas no túmulo por ver o PSD que ele idealizou, no partido que é hoje... 
Pela intemporalidade este texto, que foi publicado em 1975 mas que retrata a sociedade de 2011!!! 
Por achar que ressuscitar os ideais deste homem magnifico, estes, não os dos actual PSD, ajudariam muito em retirar este País do fosso em que se meteu!!! 
E porque este homem era um idealista, que se atreveu a sonhar e a lutar por um Portugal melhor! Fracassou, é verdade, mas diria (num humor negro) que morreu a tentar!!

Até breve**

domingo, 13 de março de 2011

Grito do ipiranga à moda do Zé Povinho


Olá amigos, 

Hoje, milhares de pessoas saíram à rua num protesto organizado por jovens, mas que reuniu várias gerações de portugueses. Este foi pelo menos para mim, um grito desesperado de ajuda. Um grito que pede por oportunidade de trabalharmos na nossa área, no nosso País. 
Um grito de revolta conta o oportunismo dos estágios não remunerados, contra a injustiça dos recibos verdes. Contra empregadores que se aproveitam vergonhamente da crise económica que vivemos, fazendo contratações sucessivas de estagiários que se substituem uns aos outros como cartuchos de uma arma, sempre pronta a disparar mas que precisa de balas para o fazer! 
Porém a culpa não é só dos empregadores...afinal se estes tem mão de obra de gratuitamente, porque vão pagar por ela?! A culpa aqui é também partilhada por um sistema governamental e legislativo que permitia estes abusos. 
Foi preciso todo este movimento, para uma lei que a muito já se falava, sair da gaveta! É verdade que os estágios vão diminuir drasticamente, mas pelo menos os que conseguirem estagiar serão remunerados pelo serviço que prestam! 
Todavia esta lei é um tampão. Resolve o problema dos estágios não remunerados mas não resolve o problema dos empregadores contratar sucessivamente estagiários em vez de trabalhadores efectivos. Este ciclo vicioso, tenho para mim que vai continuar...
A precariedade que se criou na nossa sociedade é uma bola de neve que vai continuar a rolar estrada fora até nos congelar a todos. 
Não tenho a solução de como parar esta bola, mas tenho uma sugestão muito maluca: Vamos criar a partir da união de gerações que vimos ser patente nesta manifestação um sentido colectivo! Vamos lutar todos de lado a lado por uma sociedade melhor. Mais justa. Mais equitativa. Menos corrupta. Menos egoísta. 
Eu sei o quanto utópico e surrealista isto soa, mas porque não tornar isto realidade???? É assim tão difícil olharmos para o lado e estendermos a mão para uma pessoa que precisa?? É assim tão difícil abandonarmos o individualismo que o capitalismo originou e retornarmos a um colectivismo social onde todos precisavam uns dos outros, onde todos trabalhavam em prol uns dos outros. (Atenção que apesar do que acabei de escrever, estou longe de defender o comunismo.)
Espero que este dia fique marcado pela luta contra a precariedade, mas principalmente pela coragem dos portugueses, que apesar das dificuldades, continuam a se atrever a sonhar! 
Porque foi isso que levou milhares a se manifestar. A esperança de um futuro melhor. A perseverança de tornar uma utopia realidade. 
É possível darmos a volta a esta crise. Acredito mesmo que seja possível abanar as estruturas deste País e torna-lo melhor. Mas só vejo uma forma de o conseguirmos: Solidariamente unirmos-nos e trabalharmos para  alcançarmos este objectivo comum. 

Até breve**

sábado, 12 de março de 2011

Despedidas


Em todas as despedidas, é mais fácil para quem parte do que para quem fica! 
De repente ficou tudo novamente tranquilo. E faz-me falta o caos que tu crias! 
O espaço que ocupas e a alegria que trazes aos meus dias!
É bom ter-te perto mas custa muito voltar a ter-te longe!
***

quinta-feira, 10 de março de 2011

See you soon


Existe de facto pessoas que são insubstituíveis. Tu és uma dessas raras pessoas Polly 
A palavra saudade ganha o seu real sentido quando penso em ti, na tua ausência e na falta que me fazes.
Que saudade do teu abraço meu anjo...

Fazes-me falta
***

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pecado Original


Chegaste de mansinho, e sem convite invadiste o meu espaço como se fosses legítimo proprietário do mesmo. Ignorando os meus protestos, avanças predador de encontro à minha voz.
Já não protesto contra a tua incómoda presença, mas contra o sorriso felino que me presenteias.
Presunçosamente fazes calar a minha indignação com os teus lábios venenosos. Beijas-me violentamente roubando o ar que é meu.
Arrogante, sussurras ao meu ouvido que não te contentarás com menos do que possuir a minha alma.
Olhas-me confuso. Pareces não compreender o absurdo das tuas palavras e a irritação que estas provocam em mim. Afinal só estás a cobrar algo que assumes ser teu por direito.
Em vão luto para me libertar dos tentáculos que sufocam o meu corpo de encontro ao teu. Contorço-me como um animal selvagem que se vê encurralado. Tento morder-te. Arranhar-te. Magoar-te. Mas a minha fúria, como bom predador que és, só aumenta o teu gozo.
Olhas-me provocador e em teus olhos vejo o reflexo da minha alma.
Contrariada sinto a resistência a bater lentamente retirada.
" És minha."
" As tuas palavras mentem-me. Mas é o teu corpo que te entrega."
" Pertences-me. Isso nunca vai mudar"
Derrotada cedo aos teus anseios.
A tua respiração aumenta, o meu desejo duplica e assim entre beijos ardentes e descontrolados, a roupa vai desaparecendo, a resistência desvanecendo, fica só nós e a loucura que nos une.
" És minha."
Eu e tu, tu e eu, não se explica. Não se entende. Apensas sente-se.
" És minha. Não porque possua o teu corpo. Mas porque possuo a tua alma."

terça-feira, 1 de março de 2011

Palavras que podiam ser minhas


Olá amigos,

No ultimo post que publiquei aqui no blogue foi sobre as cartas de Florbela Espanca. Havia um carta em particular que queria muito ler na integra.
Descobri que esta tinha sido escrita em Évora, em 10-7-1930 e dirigida a Guido Battelli.
O meu interesse por esta carta em particular é motivado por este pequeno excerto:

"...O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!" 

Foi ao ler esta frase que encontrei por mero acaso numa pesquisa aleatória no Google, a cerca de uns 5 anos atrás, que despertou a minha curiosidade por Florbela Espanca.
E despertou, porque apesar destas palavras serem a poetisa a descrever-se a si própria, senti que as escrevia como se estivesse a descrever-me a mim!

Esta frase resume a essência do meu verdadeiro Eu. O Eu que poucos conhecem. O Eu que muito pouco compreendem.
Estas palavras sou Eu sem acrescentar ou diminuir uma virgula.

Até breve**

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cartas de Florbela Espanca


Olá amigos,

Para o mês de Fevereiro, a minha sugestão de leitura para vocês é o livro Cartas de Florbela Espanca.
Este, de todos os livros que tenho, é  um dos que mais me orgulho em ter. 
Porque trata-se das cartas da minha poetisa preferida e porque a edição que tenho, é uma relíquia, ou seja, é uma 1.ª edição, datada de 1986, pelas Publicações Dom Quixote.
Esta recolha efectuada das cartas da poetisa já não é editada à uns valentes anos, motivo pelo qual só agora chegou às minhas mãos! E chegou, porque foi encontrado num alfarrabista, por duas pessoas que tenho dificuldade em qualificá-las apenas como amigos e que ofereceram-mo no dia de S. Valentim!!! 
O facto de ser este livro em particular, o único que não conseguia encontrar de Florbela Espanca em livraria nenhuma, encheu-me de felicidade mas ter-me sido oferecido por quem foi, colocou-o imediatamente no pedestal que reservo apenas para alguns raros livros!

Posto ter partilhado esta pequena vaidade com vocês, esta compilação de cartas é a cereja no topo do bolo para os apaixonadas por esta poetisa. 
Todavia, senti-me, tal como sinto sempre em relação a outras cartas ou diários que já tenha lido, a invadir a privacidade de quem as escreveu. 
Em causa está a correspondência privada, ou no caso dos Diários, os pensamentos mais profundos e secretos de um Ser Humano. 
O pudor que sinto, é porque estas obras são por regra, publicadas post mortem e dada a intimidade que estas revelam, considero que quem os escreve não é o escritor, mas apenas e só a alma por trás deste. 
De qualquer forma, que me perdoe a Florbela Espanca por este abuso, mas a verdade, é adorei penetrar na sua intimidade e conhecê-la como nenhum dos poemas, prosas ou contos tinha até agora conseguido! 

Este livro não é simplesmente brilhante, é essencial para quem quer conhecer esta grande mulher! 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Feliz Dia de S. Valentim!!!



Olá amigos,

Este é para quem me conhece, um dos meus dias preferidos do ano! Se para grande parte da humanidade é considerado o dia dos namorados, para mim é o dia de celebração do Amor. E este manifesta-se de formas muitos diferentes, daí que faça questão de o partilhar também com as pessoas que todos os dias fazem a minha existência valer a pena!
Por isso meus queridos, muito queridos amigos e lembrados com tanta saudade, tenham um dia feliz! E lembrem-se que vocês são preciosos ao meu coração, que tomou o doce hábito de vos conservar um cantinho privilegiado onde a mais ninguém deixo entrar!

( Frase adaptada de Florbela Espanca, em Cartas)

Até breve**

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cantigas Leva-as o vento


"A lembrança dos teus beijos 
Inda na minh' alma existe,
Como um perfume perdido,
Nas folhas dum livro triste.

Perfume tão esquisito
E de tal suavidade,
Que mesmo desapar'cido
Revive numa saudade!"


Florbela Espanca, em Trocando Olhares.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quem diz a verdade...


"A inveja é a religião dos medíocres. Reconforta-os, responder às inquietações que os roem por dentro e, em última análise, lhes apodrece a alma e lhes permite justificar a sua mesquinhez e cobiça a ponto de acreditarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão apenas aos infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outra marca que não seja a das suas mal-amanhadas tentativas de amesquinhar os outros e de excluir e, se possível for, destruir aqueles que, pelo simples facto de existirem e de serem quem são, põem em evidência a sua pobreza de espírito, mente e entranhas. 
Bem-aventurado aquele a quem os cretinos ladram, porque a sua alma nunca lhes pertencerá."


Carlos Ruiz Zafón, O jogo do Anjo

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Comer, orar e amar

Olá amigos,

Esta é a minha primeira sugestão de leitura de 2011!


Foi n.º1 do The New York Times durante mais de um ano. Vendidas mais de 5 milhões de cópias. Sendo recomendado pela comunidade de leitores da Oprah e tendo inclusive sido inspiração para um filme...mas para vos ser honesta, tive algumas dificuldades com este livro... 
Não posso dizer que não gostei, pois seria mentira, mas senti uma séria resistência de tédio!!
Por vários motivos....mas principalmente porque em algumas parte (especialmente em  relação a detalhes religioso) é muito cansativo de ler, tornando-se deveras aborrecido.
É um livro escrito por uma mulher para outras mulheres...e só por isso já sentia alguma embirração...mas no final o balanço é o seguinte: gostei. 
Tem algumas teorias interessantes. Fez-me pensar e encarar a religião com olhos mais doces. Fortaleceu a  minha teoria de que nada acontece por acaso e que a vida pode ser muito mesmo muito complicada mas se nos prendermos ao negativismo é que não vamos mesmo lá! Ou seja, pelo menos para mim, não trouxe assim nada de novo. Mas é uma leitura relaxante, moderadamente bem escrito e com uma mensagem subjacente muito válida e importante! 

Em 5* dou um 3!

Até breve**

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Parabéns Vitinho



Olá amigos!!!!

Hoje soube que umas das minhas melhores recordações de infância mais bonitas faz 25 anos!!
Este menino era o despertador que marcava o final do dia! Tenho a nítida recordação de ficar impaciente com a minha irmã do meu lado, à espera de o ouvir.
Já não apreciávamos muito era quando acabava a música e o Vitinho ia dormir...significava que com ele, nos também tínhamos de ir...e ai começava outra música bem diferente!!!
Mas foi maravilhoso recordar estes momentos que marcaram a fase mais pura e inocente da minha vida!
Que pena que hoje as nossas crianças já não tenho um Vitinho que lhes anuncie docente a hora de ir dormir...

Até breve**

De regresso ao mundo das letras


Olá amigos

É verdade que tenho deixado o blogue ao abandono nos últimos tempos...poderia tentar culpar a falta de tempo, mas é sobretudo a falta de inspiração e de estímulo que me tem afastado da escrita!
De qualquer forma, apesar de já estarmos em Fevereiro, queria desejar a todas as pessoas que visitam o atreve-te a sonhar um excelente ano de 2011!!!
Para este novo ano, mantenho os mesmos objectivos para este blogue, nomeadamente a minha sugestão mensal de leitura. Esta é uma tarefa que a vida do dia-a-dia nem sempre me permite cumprir atempadamente, por isso peço-vos alguma condescendência em relação a isto!
Outro dos meus objectivos, é partilhar com vocês outra das minhas paixões, poesia. Quer seja dos meus prosadores favoritos ou de simples anónimos que todos os dias cruzam a minha vida encantando-me com as suas palavras!
Mantenho firmemente a convicção de que só trarei temas de política e religião para discussão neste blogue em situações muitíssimo pontuais. Não que estes não me interessem, mas porque este é o meu mundo utópico pelo qual, tentarei sempre protege-lo da sujidade do mundo real!!!


Até breve**

sábado, 25 de dezembro de 2010

Ditadura na Madeira????????!!!!!!



Eu estou mesmo a habilitar-me a que as laranjas mecânicas e que a intolerância façam sumo comigo...mas vou correr novamente o risco! Parece-me que a gravidade da situação, merece tal esforço!

Tenho de partilhar com vocês as seguintes declarações:


"Hoje de madrugada, no mercado, fui agredido à má fé de forma silenciosa e premeditada. Não houve conversa, não houve troca de palavras, não houve discussão. O indivíduo não estava embriagado e dirigiu-se directamente a mim e esbofeteou-me violentamente. Não reagi e afastei-me. Tive medo e, pela primeira vez na vida, senti-me inseguro na minha própria terra perto de milhares de madeirenses. Refugiei-me imediatamente junto da minha família, menos para fugir do medo e da ameaça mas mais para protegê-la da violência que acabara de sofrer.

Viver no medo é o mais baixo degrau da sã vivência em sociedade. Mas o medo é porventura o tónico mais eficaz para reforçar a coragem nas convicções. Há heranças que serão difíceis de apagar!" 


Isto que acabaram de ler, escrito na primeira pessoa por Carlos Pereira João, que é nada mais nada menos que Deputado da ALRAM e Vice Presidente do grupo parlamentar do PS Madeira. 
É caso para dizer que "ser do Contra" na Região Autónoma da Madeira ou pelo menos, ter uma opinião diversa da maioria, é habilitar-se a uma estadia no Hospital do Funchal!!!!
Como Madeirense, isto envergonha-me. E publico sim, para que todos saibam o que aqui realmente se passa!
Os madeirenses vivem numa ditadura camuflada (e mal) onde o "Salazar" e a sua PIDE (pessoas que não respeitam a liberdade individual de pensamento e de expressão) espalham o medo em todos os que se atrevem a lhes fazer frente.

Isto é inacreditável e absolutamente inadmissível.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Filho de Ninguém



Olá amigos,

Estou vergonhosamente em falta em relação à minha sugestão mensal de leitura.
Podia tentar justificar com a falta de tempo. E sim, isso também tem sido parte do problema, mas o motivo principal é relativamente simples. Estou a ler um livro que não estou a gostar.
"Comer, orar e amar" é tão aborrecido que cada pagina que leio tenho vontade de comer, amar e mesmo orar, tudo menos lê-lo...!!!
Porém, queria falar-vos de outro livro que li à algum tempo atrás, e que marcou-me significativamente.
Chama-se "Filho de Ninguém" e  foi escrito por Micheal Seed.
É um livro de 207 página, dividido por 30 capítulos, onde este padre católico descreve as suas memórias de infância.
Tenho de vos alertar, que este não é um livro para pessoas muito sensíveis, ou caso sejam, estejam preparados para uma leitura emocionalmente desgastante.
Esta deve ter sido das mais duras histórias de vida que já ouvi.
Este homem, outrora uma criança teve uma infância que tenho dificuldade em qualificá-la como infernal. Pois é pouco para o que este pequeno ser viveu.
Só para vos dar uma ideia, com apenas 5 anos, teve de lutar pela sobrevivência contra um pai perturbado e violento. Passou fome. Foi torturado. Perdeu a mãe que se suicidou. Era vitima de mãos tratos por parte dos  avós e transformado em escravo sexual (do pai).
Chocados? Isto é apenas uma breve ideia, lembram-se?
Todavia, esta criança dotada de uma incrível capacidade de resiliência, cresceu e tornou-se num Homem bom, bem sucedido e influente.
Este livro, é um testemunho triste e doloroso de uma criança, que deve ser o espelho de tantas outras que por este mundo viveram ou vivem o mesmo. Mas é também um testemunho brilhante de coragem "de um Ser Humano e da sua notável capacidade para triunfar sobre os horrores".
Depois de ter lido este livro, houve duas pergunta que não me saiu da cabeça durante uns dias...

 "Como é que se sobrevive a isto?"
e
" Tu ainda te atreves a reclamar da tua vida?"

Muito bom mesmo!

Até breve*

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Train - Shake Up Christmas



Meus amigos,

Espero que tenham um Feliz Natal, e que o vivam com o espírito certo, sem este consumismo que pelo menos para mim, afasta toda a magia e beleza desta quadra! 
Natal significa família, amigos, partilha e união! 
No final, é isto que verdadeiramente importa!
Deixem lá de se preocupar com a balança e aproveitem para se "entupir" de rabanadas, sonhos e muita carne de vinho e alho!
Beijinho muito grande, aos que estão perto, mas principalmente para os que estão longe! 

Até breve**

Sandrinha

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

E já que estamos no Natal...

Meus amigos, eu sei que esta ausência é indesculpável mas desde o ultimo post até a uns dias atrás a minha vida virou uma fabrica de fazer presentes!! 
É verdade! Este ano perdi a cabeça e decidi criar a maior parte das minhas prendas de natal! Apesar das muitas horas passadas entre materiais de bricolage, no final, valeu a pena cada dedo cheio de cola! 
Parecendo que não, é possível criar presentes muito originais com muito pouco dinheiro! É só preciso uma dose elevada de paciência e o desejo de oferecer um miminho único a alguém que verdadeiramente o merece!
Aqui fica o resultado de alguns destes mimos...

Até breve**

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cartas a Sandra

Olá amigos,


Eu sei que ando atrasada em relação à minha sugestão mensal de leitura, mas esta tarefa de conseguir ler um livro por mês... é um pouco mais árdua do que estava a espera! 
De qualquer forma, " Cartas a Sandra" de Vergílio Ferreira foi a minha escolha para ocupar as horas vagas do mês de Outubro!
Dizer-vos que adorei é pouco, muito pouco para o descrever.
Escrito por um dos maiores e melhores prosadores de língua Portuguesa, este livro foi editado post mortem pela filha do escritor, que encontrou estas cartas amontoadas juntamente com outros manuscritos inacabados.
Este legado deixado por Vergílio Ferreira, é para mim, o mais especial de todos os que o escritor escreveu.
Como o próprio nome do livro indica, são uma compilação de cartas. Cartas de amor, que Paulo escreveu para a mulher, Sandra, depois da morte desta.
Este livro é considerado um epílogo ao romance " Para Sempre". Porém, neste é ainda mais evidente a catarse de um amor inesgotável. 
Um amor tão forte que as palavras não são capazes de o descrever e onde " a dimensão metafísica desempenha um papel apaziguador no desespero obsessivo de Paulo na evocação da memória de Sandra".
Existe um fatalismo romântico neste livro, que para mim, foi a cereja em cima do bolo! Não só foram escritas para uma pessoa que já tinha morrido, como a ultima carta publicada no livro, foi a única testemunha da morte o escritor! 
Vergilio Ferreira foi encontrado morto debruçado sob a mesa onde escrevia diariamente. Faleceu da forma como viveu, escrevendo. Sendo as ultimas palavras do escritor para a mulher. 
Muito bom mesmo! 

Até breve**

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em busca do amor


"O meu destino disse-me a chorar:
Pela estrada da vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando,
Acerca do amor, que hás-de encontrar".

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfiando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando...

Mesmo a um velho eu perguntei: 
 Velhinho viste o amor acaso em teu caminho?
E o velho estremeceu...
Olhou...
E riu...

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados...
E eu para o murmurar: 
Ninguém o viu passar..."

Florbela Espanca, Sonetos

sábado, 6 de novembro de 2010

Histórias com gente dentro - O meu amor



Histórias com gente dentro.

Esta história " o meu amor" foi uma das primeira contadas neste programa, transmitido pela SIC e conquistou-me completamente. Confesso-vos que em algumas partes emocionou-me a ponto de estar a fazer um esforço para tentar controlar as lágrimas.
Eu sei que ando uma lamechas. Amor para cá amor para lá e já houve quem apresentasse as suas queixas =P mas meus amigos, de momento deu-me para isto! Tenham lá paciência que isto passa-me!
De qualquer forma, acho este programa fantástico. Grandes reportagens que "dão voz às pessoas, aos seus estados de alma, sentimentos e vivências. Gente anónima com historias extraordinárias"
"E toda a gente tem uma história para contar. Basta querer ouvir"
Da autoria de Ana Sofia Fonseca, estas histórias são contadas todas as semanas, à sexta-feira a noite, depois do Jornal da Noite!

"Vidas que se cruzam, histórias de amor e de ódio, de alegria e de tristeza. Do dia-a-dia. Em cada programa, um tema comum a todos nós. Um olhar diferente sobre o país. "


Até breve**

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O coração da terra bate ao ritmo dos teus passos


Meu amor,

Escrevo-te cartas para contrariar a tendência de já ninguém o fazer. Eram assim que sempre começavam as minhas cartas para ti! 
Lembraste como costumavas espicaçar-me à conta dos meus ideias românticos? Dizias ser a ultima romântica do século XXI e que escrevia cartas de amor apenas para indignar Fernando Pessoa!
As tuas palavras não me impediam de te escrever, tanto que perdi a conta de quantas te escrevi. Apesar de nunca ter tido coragem de perguntar-te, sei que ainda as guardas, fechadas algures dentro de um baú qualquer onde armazenaste tudo o que um dia representou um "nós". 
Tenho-me questionado se depois de mim, alguma outra, que ocupou o meu lugar voltou a escrever-te. Guardo secretamente o desejo masoquista de por tuas mãos não ter voltado a passar uma outra carta de amor. Assim, ao menos continuarei a ser para ti aquela que escrevia lirismos amoroso em papel perfumado.
Por estranho que te possa parecer, depois de ti comecei a achar que Pessoa tinha razão. Agora todas as cartas de amor parecem-me tristemente ridículas. 
Continuo a acreditar num amor antiquado que marcou outras épocas. Num amor que vive-se uma só vez na vida. Num romantismo doentio em que ainda era possível morre-se por um desgosto amoroso.
Num amor como o de Virgílio Ferreira e Sandra, como o de Inês e Pedro, como o de Elizabeth e Mr. Darcy, apenas perdi a capacidade de escrever para outro que não tu.
É ainda estranho ver-te somente como um amigo. Houve um tempo, em que acreditei que envelheceríamos juntos. 
Dar-te por garantido foi o meu maior erro.
Julguei-te meu.  Oh como julguei-te mal.
Não sei dizer-te quando ou porquê comecei a tratar-te como um apêndice que trazia pendurado ao coração.
Podia tentar culpar o tempo. Habituei-me a ti. E usei-te com a mesma certeza de que, tal como o ar que respiro também tu serias ilimitado.
Conduzi-te pela minha mão cega e inconsciente ao abismo de nós, sem me aperceber que ia esgotando um sentimento que presumi infinitamente inesgotável.
Este meu amor, foi o meu 2º maior erro. Esqueci que as presunções são por regra ilidíveis.
Hoje, compreendo com absoluta clareza das coisas inexplicáveis, que as tuas mãos escreveram na minha pele uma maldição que irei transportar comigo até ao fim. E que o prazer que o meu corpo conhece, é o que aprendeu com o teu e é esse prazer que ensino a outros homens, que uso para tentar enganar a ausência de ti.

Até breve**

Circo de feras e palhaços

Olá amigos,

Eu sei que tinha prometido não manchar o meu blogue com temas obscuros como politica... mas tenho de abrir uma excepção. É que as coisas andam de tal forma ridículas que se não escrevo rebento!
Mas não fiquem assustados.... a epidemia de insanidade ainda não chegou a estes lados! Serão apenas uns pequenos comentariozitos inocentes ao nosso actual circo politico! 


E já que referi isto, que tal começar pelo famoso acordo orçamental. Que triste espectáculo. O que me preocupa, é que nenhuma das partes demonstrou uma coisa que considero ser primordial para alguém que tem de dirigir um País...ou que o pretende vir a dirigir... BOM SENSO.
Pelo contrário, estas negociações e o seu fracasso representaram apenas uma estratégia explicita de puro oportunismo partidário que só ajudou a clarificar a desconfiança dos mercados internacionais em Portugal!!! 
E como se isto não fosse mau o suficiente, em menos de 24horas os mesmos brincalhões decidem reatar as negociações, depois de proferidos insultos infantis e comportamentos que nem a garotos se admite, e selam um acordo de austeridade num selecto bairro lisboeta da Lapa...na casa Eduardo Catroga!!!! Qual formalismo democrático? Esqueçam lá isso!! 
Ainda no mesmo assunto, tenho ouvido que algumas pessoas consideram boa ideia a vinda do FMI em vez deste acordo...nomeadamente o Presidente do Governo Regional da Madeira... ora bem...apesar da minha infundada ignorância neste campo, parece-me que tendo em consideração que a inexistência de orçamento levaria a um descrédito (ainda maior) internacional, ao consequente fecho do crédito e a intervenção do FMI a vir pôr ordem na casa...já que nós não somos capazes, seria mais vergonhoso do que o campeonato que o Benfica está a ter este ano!! (peço desculpa, não resisti) 
Deixo por fim uma ideia, muito parva a estes senhores, e que tal deixarem-se de jogos calculistas politico-partidários, arrogâncias e vaidades e fazerem o que vós compete... sei lá...vem-me assim a cabeça colocarem para variar os interesses de Portugal e dos portugueses em primeiro lugar??!! (eu avisei que era uma ideia muito parva... mas eu sempre tive uma certa tendência para utopias...)


O outro assunto, que na realidade não é bem outro assunto, é o misterioso fosso para onde vai o dinheiro desviado...desviado não que é feio... a derrapagem das despesas do estado. Isto sim devia virar um dogma! É que fala-se em derrapagem, em défice, mas ainda não ouvi ninguém me explicar o porquê? para quê? ou para quem foi utilizado este dinheiro.
Mais grave que isto, medias para impedir que isto aconteça? heresia meus amigos! Criação de um organismo externo que investigasse estas derrapagens...uiii isto daria uma confusão tremenda! (e aqui entre nós... muitas personagens governamentais iam passar a ver o sol aos quadradinhos... dizem as más línguas que corrupção, enriquecimento sem causa, má fé, são crime...)
Sabem aquele livro "onde está o wally" ? em portugal é "onde está o dinheiro roubado dos contribuintes" 


Para terminar, não posso deixar passar as presidenciais! Cavaco volta a recandidatar-se, até aí não existe grande novidade. O curioso é que o senhor Silva lembrou-se agora de ser poupado! Vejam só! Afinal ainda existe seres iluminados!
Que bela mensagem transmite aos portugueses: "Vamos poupar quando já não tivermos o que poupar".
Fora a ironia, isto pode ser uma media que prejudique a sua reeleição, é verdade, mas não deixa de ter sido um excelente golpe de campanha! 
Em tempo de crise o ainda PR sacrifica-se pelo seu povo! Onde é que já ouvi esta história? Ainda reforça este paternalismo fora de tempo, proferindo que irá gastar menos de metade dos cerca de 4,2 MILHÕES de euros permitidos por lei! 
Apesar destas opções serem tácticas populista e demagogas, fiquei feliz em as ouvir! (beneficia a economia e o ambiente!!!)
Tarde e a mal horas, temos de começar a encarar que somos um País um bocadinho desprotegido de verbas... e como tal só existe uma forma de alterar isto, gastar menos. Gastar de forma inteligente. Acima de tudo, gastar o dinheiro dos outros como se fosse o nosso! 

Pronto, depois desta diarreia de disparates dos nossos governantes vou voltar para o meu mundo utópico! 

Até breve**

(Ah!! Por favor... não reportem novamente o meu blogue à google por causa deste post... ninguém leva a sério as coisas que eu escrevo! Não vale a pena darem-se ao trabalho...)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Oliver Twist


Olá amigos,

Apesar do atraso, esta é a minha sugestão literária do mês de Setembro! Olive twist é um romance de Charles Dickens que relata a vida e as aventuras de um menino órfão. Oliver nasce numa época em que a Inglaterra via-se a braços com uma situação de grande precariedade económica provocada pela era revolução industrial.  
Época essa que ficou marcada por grandes desigualdades sociais e onde a marginalidade e delinquência eram uma forma de sobrevivência entre as classes mais baixas da sociedade londrina. 
É uma história chocante e emocionalmente. A escrita deste autor (pelo menos neste romance) desperta nos leitores um desprezo pela humanidade...que de humano tem apenas o aspecto de Homem... perante as injustiças a que este miúdo é sujeito. Mas quase quando estamos a perder toda a esperança no Homem, Dickens dá uma volta enorme à história, como se quisesse dar às personagens e aos leitores uma nova oportunidade. 
À semelhança do que aconteceu com o próprio, as personagens de Charles Dickens são normalmente crianças, com percursos difíceis e vítimas de injustiças sociais. Mas que apesar de um destino fatalista, acabam conseguindo vence-lo!
 Gostei particularmente da forma zombeteira e de escárnio como o escritor descreve as personagens que personificam uma elite hipócrita e indigna. Uma elite indiferente, que desdém perante as classes pobres e desprotegidas da sociedade. Dando-lhes um toque de caricatura que apesar do drama da situação, chega a ser muito engraçado. 

Gostei mesmo muito deste livro. Uma leitura por vezes massuda e cansativa, mas com um pouco de paciência vale mesmo a pena lê-lo. 
A mensagens transmitida pelo escritor tem tudo a ver com a essência deste blogue.  Dickens "pede" aos leitores para não deixarem de acreditar. Para se atreverem sempre a sonhar. Porque é possível mesmo perante momentos dramáticos e percursos de vida adversos, alterar um destino que parece predestinado ao infortúnio!!

Até breve**

domingo, 17 de outubro de 2010

O tempo


"O tempo é valiosíssimo, mas não custa nada.
Podemos fazer o que quisermos com ele, menos possuí-lo.
Podemos gastá-lo, mas não podemos guardá-lo.
E quando o perdemos, não podemos recuperá-lo.
Passou e pronto."






Foto de Daniel Camacho,  olhares.com/hipnoz
Desconheço o autor da citação.

Generosidade


Olá amigos,

hoje escrevo-vos uma cartinha que gira em torno de um sentimento... a generosidade!  Carta essa , que tem como personagens principais um grupo de pessoas de nacionalidade brasileira. E que se desenvolve sobre o palco de um dos meus cafés de eleição aqui no Porto.
Confusos? Passo a explicar:
Este café fica situada a pouco passos da minha casa, e é um café igual a tantos outros que se encontram em cada esquina, de qualquer cidade. A única particularidade deste espaço, é que desde os proprietários aos empregados, são todos sem excepção provenientes de terras de vera cruz!! Até a música ambiente que normalmente embala os clientes é bossa nova!
Pelo menos uma vez por dia vou até ao "Lux" saciar o meu maior vício... o café! Esta rotina faz com que os empregados já me tratem como parte integrante do estabelecimento. Estanham quando lá não vou e mal me sento, o meu café cheio está a chegar, mesmo sem o pedir! Este gesto é sempre acompanhado por um comprimento deste género: "Olá amor, tudo bem com você?" No inicio estranhava esta familiaridade de trato! Hoje, confesso-vos que estranho se não a ouço!
Onde é que entra a generosidade nesta história?
Ora, sempre que não me levanto à hora de já estar na paragem à espera do autocarro, é no "Lux" que tomo o primeiro café do dia. E pelo menos de todas as vezes que isto aconteceu, vejo entrar uma idosa, carregada com sacos e já curvada pelo peso de uma vida longa. 
Uma senhora que apesar do físico frágil e debilitado, conserva um olhar enérgico e a voz vivaça de uma garota na flor da idade! 
Esta seria uma idosa comum com quem cruzo o meu caminho todos os dias se não provocasse um aperto nas minha entranhas cada vez que a vejo. O motivo é simples, esta mulher, que faz-me lembrar a minha avó, faz do semáforo o seu local de trabalho. É frequente encontra-la no meio da estrada, por entre os carros a pedir esmola...alheia ao inconstante estado da meteorologia.
Voltando ao café, observo-a sentar-se, a trocar umas animadas palavras com o empregado, que traz-lhe de seguida um copo de leite fumegante e um pão com manteiga. 
vejo-a esmigalha  o pão aos pedacinhos e mergulhar no leite, devorando o pequeno-almoço, a uma velocidade que apenas a fome justifica. 
Este gesto volta a repetir-se à hora de almoço, sendo-lhe servido um prato de sopa , um pão e por vezes um sumo de acompanhamento. Ambas as refeições são pagas pelo coração puro de quem lhe serve!
E foi com admiração e algum espanto, que presenciei a uns dias atrás, que a generosidade desta gente não fica por aqui. 
Ao final do dia, o pão e os bolos que não foram consumidos, não são guardados para servir no dia seguinte aos primeiros clientes!!!! São embrulhados  e entregues a outro idoso, desta vez de sexo masculino, que tenho quase como certo, que faz da dura e fria calçada portuguesa a sua cama e das desertas ruas do Porto a sua casa. 
Este homem que tem à vontade mais de 70 anos, ao contraria da "avó" que descrevi a pouco, tem um olhar que reflecte a imagem de alguém que já perdeu a fé e a esperança na vida. 
Sempre que o vejo, tenho a impressão que este move-se comandado por um piloto automático... a que chamarei de sobrevivência. 
Tenho para mim, que à muito que este homem deixou de viver. 
Voltando novamente ao café, vejo-o chegar e esperar à porta sempre com os olhos colados no chão, o fecho do estabelecimento. Altura em que o empregado entrega-lhe o que penso ser (em muitos dias) o primeiro alimento que lhe chega ao estômago! 

Agora que os emigrantes estão na mira de certos governantes europeus... este grupo de "estrangeiros"  (que são tantas vezes discriminados pela sua nacionalidade), dão-me todos os dias uma lição de bondade e generosidade que deveria envergonhar muitos Portugueses!!! (Pelo menos a mim, fazem-me pesar a consciência cada um destes gestos, por lamentar, mas nada mais fazer que isso.)
É verdade que não conseguem mudar a realidade das pessoas que ajudam, mas ao menos trazem um pouco de alegria e conforto às suas vidas!

É bem mais do que eu faço! 

Até breve**

sábado, 2 de outubro de 2010

Salvar uma vida custa tão pouco


"A opção desistir de mim... e de ti! Querido Dragãozinho Azul (mais à frente vais perceber porque te estou a chamar assim...), sim, estou a chorar a tua partida, mas repara que tenho feito tudo para enfrentar a maior perda da minha vida, com a força e a coragem que sempre te tentei passar! Sei que estarás muito orgulhoso dos teus papás pela forma como têm lutado, desde o primeiro segundo em que entraste no hospital... Tudo o que fizemos até aqui foi decidido e feito em conjunto, pelo amor que temos por ti. A tua mamã e eu chorámos abraçados a tua notícia, entrámos de mãos dadas no crematório e foi agarradinhos um ao outro que te deixámos no mar. Ao som da tua música preferida "No One" da Alicia Keys, juntos tocámos nas tuas cinzas e nos despedimos de ti. Gostava muito de te poder dizer que a dor tem sido amenizada com o passar dos dias, gostava de poder dizer que tenho tido mais força com o passar do tempo... mas estaria a mentir. E entre nós nunca houve mentiras, a nossa linda cumplicidade não permitia isso! Vivo um segundo de cada vez sem saber como vou estar no segundo a seguir. A minha vida deixou de ter dias, passei a ter apenas um aglomerado de segundos sem nunca saber o que irá acontecer no segundo seguinte... Luto para manter a vontade de viver, na certeza que já não tenho prazer em viver! Tenho-me lembrado muitas vezes da frase que tantas vezes te disse nas tuas corridas de karts "Desistir não é uma opção!". Quantas vezes te disse isso ao longo da vida, fosse a montar um lego, fosse a fazer os trabalhos de casa, fosse a trepar uma árvore mais alta? Nunca te deixei desistir, porque nunca fora uma opção de quem quer ser homem com H, como tu sempre quiseste ser! Naquela cama do hospital, durante mais de 14 horas, pedi-te ao ouvido, milhares de vezes, para não desistires!!! Mas tu não conseguiste resistir. Não querido, não estou por isso desiludido, porque sei que não desististe. Apenas estou revoltado porque não te foi dada hipótese para lutares mais! Agora passo os dias a lutar também para não desistir e digo vezes sem conta "Desistir não é uma opção! Desistir não é uma opção!". Adorava conseguir acreditar nisto com a mesma intensidade de quando te o dizia... Acho que a única forma que para já encontrei para não desistir foi tentar ultrapassar uma barreira por dia. Todos os dias tenho uma meta a cumprir. Hoje já consigo entrar no teu quartinho. Hoje já consigo olhar para as tuas fotos. Já tive forças para tirar a tua cadeirinha do carro... A barreira que decidi ultrapassar no dia de hoje é ter tido a coragem de te escrever esta carta, no dia em que farias 7 anos! Mas faltam-me muitas outras barreiras para as quais vou precisar da força que só tu tinhas o poder de me dar. Sei que sempre fui uma pessoa forte nas maiores adversidades, mas, querido, todo o homem tem o seu tendão de Aquiles. E eu, apesar de desde o primeiro momento em que tudo isto aconteceu andar a fazer de Super Homem, sinto, a cada dia que passa, que a tua ausência é a kriptonite que me retirou os meus "super poderes"! Tenho a consciência que tenho sido um felizardo em termos de apoio. Não há um dia que não tenha dezenas de chamadas, mensagens e mesmo abordagens na rua de pessoas amigas ou desconhecidas que nos querem bem. Desde o primeiro dia recebemos centenas e centenas de mensagens! Até o nosso Presidente Pinto da Costa nos enviou uma carta a dar-nos força, onde te chamou "Dragãozinho Paulo" (agora já percebeste porque comecei esta carta a chamar-te Dragãozinho Azul...). Já falámos por telefone e disse-lhe que foste cremado com o teu boneco com que dormias sempre, com o teu livro de histórias preferido e... com um cachecol do F. C. Porto! A Carla, a nossa Carlinha não me tem largado um segundo! Nem a dormir me larga a mão. Gostava de lhe retribuir a força que me tem passado com pequenos gestos de carinho, mas neste momento apenas sinto um vazio dentro de mim e não consigo ser quem sempre fui. Resta-me a certeza de saber que ultrapassar esta fase sem ela seria, muito provavelmente, impossível! Espero que todos os homens que passem por isto tenham ao seu lado uma mulher como a Carla! Tenho lido todas as centenas e centenas de mensagens que recebi, nelas tenho conseguido encontrar a energia para o segundo seguinte. É impressionante a quantidade de pais que já viveram este pesadelo. Andes por onde andares, sempre que encontrares uma criança, dá-lhe um beijinho e diz-lhes a todos que têm uns papás muito corajosos cá em baixo! Todas as pessoas me têm dito, sem excepção, que foste para o Céu. Quero acreditar nisso mas o meu amor de pai ainda não me permite pensar/aceitar para onde foste, apenas consigo pensar/chorar onde não estás... ao meu lado! Todos me dizem que agora temos um anjinho no Céu a olhar por nós, mas eu preferia mil vezes o meu diabinho de caracóis na terra! Recebi ainda mensagens a dizer que tenho sido uma inspiração para os pais deste país... fico lisonjeado, mas na verdade apenas quis ser uma inspiração para ti meu filho, em vida! Espero continuar a sê-lo! Sei que fui um privilegiado por ter tido o prazer de ter-te como filho. Espero que leves contigo a alegria de me teres tido como papá! Paulinho, meu amor, não sei quando nem onde nos vamos voltar a encontrar, mas prometo que vou tentar continuar a colar os meus segundos, como se fossem os teus. Quero e vou continuar a sofrer-te para sempre, até porque, no dia que deixasse de o fazer estaria a esquecer-me de ti e isso é impossível! Mas espero que um dia possa voltar a encontrar a alegria de viver, que sempre nos caracterizou aos dois. No dia em que partiste não levaste apenas o teu sorriso... levaste o meu também! Mas sinto que se desistir de mim, estarei a desistir de ti... E como sempre te disse, "Desistir não é uma opção!".
Amo-te MUITO!
Papá
Ps. Não fiques triste por não estares cá no dia de hoje. Vamos fazer na mesma um jantar de aniversário com todos os nossos amigos e, claro, com a tua mamã. Hoje e sempre vamos estar a pensar em ti!"

 Esta cartinha foi escrita pelo jornalista  Paulo Sousa e Costa para o filho que viu morrer numa cama de hospital, horas (HORAS) depois de lhe ter sido diagnosticado uma leucemia rara.
Achei esta carta ideal para chamar a atenção a todos, do quanto é fundamental ser dador de medula óssea. 
Possivelmente para este menino não houve tempo sequer para pensar numa cura, mas tal como o Paulinho, muitas, muitas outras crianças (e não só) estão a morrer todos os dias vitimas desta doença e a sua cura pode estar nas tuas mãos! 
Tu podes ser a única pessoa em todo o mundo capaz de salvar uma vida, porque és a única compatível com ela! 
Encontrar um doador compatível é uma tarefa muito difícil, pois as pessoas são geneticamente muito diferentes. Daí que as doações de medula óssea estejam inseridos num banco de recolha de dados internacional, permitindo desta forma uma maior probabilidade de encontrar esta rara compatibilidade entre dois seres humanos que a única coisa que poderão ter em comum, é um estar gravemente doente, e o outro ser a sua derradeira esperança!
E custa tão pouco ser doador.  
Neste link poderão encontrar toda a informação necessária caso decidam salvar uma vida: 

domingo, 19 de setembro de 2010

Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados


Olá amigos, 

Para quem realmente me conhece, sabe que desde que me conheço por gente, sempre que me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, a minha resposta era imediata e sempre a mesma: - quero ser advogada! (Imaginem o espanto das pessoas a ouvir cinco tostões de gente a dizer isto...)
Não sei como surgiu o desejo de seguir advocacia, é que nem existe ninguém na família que esteja ligado a esta área! Apenas sei que isto não era um devaneio de uma criança mas uma certeza em mim. Mesmo contra a opinião de algumas pessoas, que ainda hoje não consideram digna a profissão de advogado, a minha folha de candidatura para a faculdade continha somente uma opção preenchida. Direito. Depois de terminar a faculdade, a Ordem dos Advogados não era uma mera opção de saída profissional era um pequeno passo para finalmente ser o que sempre ambicionei. Esta breve introdução pessoal foi para vós dizer que os meus anos de faculdade alteraram o meu conceito (inocente) de justiça, mas nunca como o fez a OA. Confesso-vos que depois de ouvir o nosso querido bastonário proferir estas declarações:          "Não estou preocupado com os jovens que estão à espera de entrar na profissão, mas os que já entraram e estão desesperados" e remata confirmando que este ano, não vão abrir cursos de estágio organizados pela Ordem dos Advogados!!! A verdade é que ocorreu-me brevemente uma série de pensamentos muito maus pela cabeça e coloquei pela primeira vez em causa a vontade em alcance os meus objectivos.
Muito obrigada senhor bastonário! É que se não está preocupado com os que ainda não entraram, existe muitos outros que já entraram e que estão simplesmente a espera que sua excelência se digne a autorizar as distritais a abrir novo curso para que estes que já entraram mas que estão presos na fase inicial à espera de a repetir, possam decidir as suas vidinhas!
Em meu nome, e em nome de todos os estagiários deste País... queria dizer-lhe, que jamais o esqueceremos! E que a justiça tarda, mas não falha! (nem que seja a do Olimpo...)
De qualquer forma, mesmo depois disto e apesar do balde de água fria, não vou desistir do meu sonho. É esta a minha vocação. E não vai ser um bastonário que me vai fazer mudar de ideias. 


Até breve*


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Curtas

Olá amigos,

Eu raramente faço isto, mas particularmente hoje apetece-me escrever sobre 3 breves noticias que vi no noticiário agora à hora de almoço e que achei dignas de grande destaque!

Então não é que num País maioritariamente Anglicano (para quem desconhece, a grande diferença entre esta ideologia cristã e a católica Romana é que estes não se regem pelo Vaticano, ou seja, não reconhecem a autoridade papal....) como a Inglaterra, os fieis (supõe-se à partida, que católicos Apostólicos Romanos) terão de pagar para participar nos eventos públicos durante a visita do Papa Bento XVI a terras de sua majestade??
Achei no mínimo paradoxal e estranho esta medida. Até que as vozes do Vaticano decidiram fazer-se ouvir em relação a este polémica. Segundo o porta-voz da casa do representante de Deus, os fiéis serão convidados a dar uma contribuição pela visita do pontífice!!!!!
Agora faz todo o sentido! A crise chegou também ao Vaticano! Afinal, quem anda com Deus, Deus acompanha" agora em tempos de crise será mais algo deste género "quem anda com Deus, Deus acompanha...mas a este, acompanha quem puder..."


E isto precisamente de encontro com a próxima noticia que vos queria falar! 

O Primeiro-Ministro de Itália, Silvio Berlusconi preocupado com as jovens e a sua situação económica, (novamente a crise) aconselhou as mulheres italianas a procurar maridos ricos!!!! 
Acrescentou ainda, que ele servia bem de exemplo. Que tinha uma fila de mulheres que queriam casar com ele, primeiro porque era simpático. E depois porque tem dinheiro. O que as leva a concluir que "ele é velho, morre e eu fico com tudo" 
Este homem é um visionário! Tivéssemos um primeiríssimo assim em Portugal, que tão bons conselhos dá as jovens do seu País e não teríamos as mulheres como o maior numero de desempregadas inscritas nos centros de emprego!!!!  Isto sim é um exemplo a seguires oh Sócrates!

O ainda no assunto CRISE...
Na gala de entrega dos famosos prémios MTV Video Music Awards a mítica cantora Lady Gaga cansada do preço exorbitante que os estilistas pedem por um bocado de pano exclusivo para desfilhar na carpete vermelha....decidiu que a carne de vaca era mais barata!!!! 
E não é que a moça até tem razão?? 
Por exemplo, cá em Portugal a carne de...bom não é bem vaca...é mais touro... é tão barata que andou até a ser distribuída à população recentemente em Monsaraz!!!!!!!!!
(E como ninguém dá nada de graça a ninguém, leva-me a concluir que ou estava estragada ou era carne ilegal... )
Gaga justifica que estava vestindo uma mensagens: "Se nós não defendermos aquilo em que acreditamos e se não lutarmos por nossos direitos, muito em breve vamos ter tantos direitos quanto a carne de nossos ossos"
Isto vai dar polémica...é que da maneira que este mundo vai, não tarda termos os ossos a fazer manifestações para terem os mesmos direitos que a carne...

Bom vou voltar para o meu mundinho que sempre que de lá regresso tenho a certeza que aqui fora estão bem piores...

Até breve*

domingo, 12 de setembro de 2010

O Diário de Anne Frank

Olá amigos,

Esta é a minha nova dica literária para vós e que recomendo a todas as pessoas que ainda não leram!
A minha curiosidade em descortinar este diário, despoletou depois de ter estado em Amesterdão e de lá ter visitado o "anexo secreto" ou melhor, o Museu de Anne Franke. 
Hoje, depois de o terminar arrependo-me por não ter lido antes de conhecer o museu.
O motivo é simples, conheci o lugar onde Anne esteve escondida durante dois anos, com os olhos de uma turista que pouco conhecia sobre a sua história. 
Se um dia à Holanda regressar, vou querer lá voltar e redescobrir o "Anexo" guiada pelas memórias desta adolescente que as únicas coisas queria, na inocência dos seus 13 anos, era ter um amigo verdadeiro, ambicionava em ser escritora e jornalista e radicar-se na terra das tulipas! 
Uma criança a quem os sonhos e aspirações foram roubados por ter tido a má sorte de nascer judia. 
Está é a história de Anne, da sua família e de outras 4 pessoas que com ela partilharam o esconderijo, mas podia muito bem ser o relato de aproximadamente 6 milhões  de judeus que foram assassinados às mãos dos Alemães. 
A leitura deste livro suscitou-me uma multiplicidade de sentimentos controversos que foram um pouco difíceis de gerir.
É uma leitura muitíssimo acessível  a qualquer tipo público, afinal foi escrito por uma miúda...mas que apesar da sua tenra idade...escreve melhor que muitos autores que já li!!!
A minha grande resistência ficou-se a dever por ter conhecimento que não estava a ler um romance inventado pela mente fértil de um autor qualquer. Mas algo real, vivenciado e descrito minuciosamente... sendo algumas passagens verdadeiramente dolorosas de ler. 
Tenho a convicção que Anne caso tivesse sobrevivido, ter-se-ia tornado numa grande mulher.
Deixo-vos duas passagens que gostei particularmente. Uma por ser um exemplo da grandeza de espírito de Anne Frank e outra que demonstra claramente que apesar deste diário ter sido escrito no século passado, numa época que envergonha a história da Humanidade, há realidades que são imutáveis. E a capacidade destrutiva do Homem é uma delas.

" Deitada na cama, à noite, depois de terminar as minhas orações com as palavras obrigada, senhor, por tudo o que é bom, querido e belo.
...Nestes momentos não penso em toda a miséria, mas na beleza que ainda nos resta. (...) Se nos tornarmos parte do sofrimento, o que nos resta? Ficaríamos completamente perdidos. Pelo contrário, a beleza permanece mesmo na desgraça. Se a procurarmos, descobrimos mais e mais felicidade e recuperamos o equilíbrio. 
Uma pessoa feliz transmite felicidade aos outros; Uma pessoa que tem coragem e fé nunca morrerá na miséria"

" - Porquê esta guerra? Oh, porque é que as pessoas não conseguem viver juntas em paz? (...) Porque é que se gastam milhões na guerra todos os dias enquanto não há um tostão disponível para a ciência médica, os artistas ou os pobres?  Porque é que as pessoas têm de morrer à fome quando há montanhas de comida a apodrecer em outras partes do mundo? Oh, porque é que as pessoas são tão loucas?"