quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em busca do amor


"O meu destino disse-me a chorar:
Pela estrada da vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando,
Acerca do amor, que hás-de encontrar".

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfiando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando...

Mesmo a um velho eu perguntei: 
 Velhinho viste o amor acaso em teu caminho?
E o velho estremeceu...
Olhou...
E riu...

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados...
E eu para o murmurar: 
Ninguém o viu passar..."

Florbela Espanca, Sonetos